O sistema de gaiolas convencionais, ou gaiolas de bateria, é um elemento da avicultura industrial que obriga as galinhas a passarem uma vida curta e miserável em gaiolas minúsculas, empilhadas como caixas até o teto de galpões lúgubres. Presas em companhia de outras galinhas, claustrofobicamente imprensadas umas contra as outras, elas não podem sequer esticar suas asas. No Brasil a cada galinha é dado 330 cm2, mais ou menos a metade de uma folha A4. A ave é tratada como uma mera unidade de produção, e não como uma criatura senciente que sente dor e medo.
Essas condições causam imenso sofrimento psicológico e físico às galinhas e impede a manifestação de qualquer comportamento natural. Ciscar, exercitar-se, pousar, abrir a asa, rolar na poeira são instintos que essas prisoneiras têm mas que são perenemente frustrados pelo confinamento. Seus instintos sociais também são frustrados. A vida é uma constante agonia; muitas não toleram e morrem, solitárias e doentes.

Esse ambiente tenso de granjas superlotadas (50,000, 100,000 galinhas fazendo um barulho histérico) é um verdadeiro pandemônio. O ar é nauseante por causa da concentração de amônia emitida pelo excremento dos animais. Osteoporose e ossos fraturados são comuns por causa da alta produção de ovos. Os pés muitas vezes se prendem no chão de arame e se deformam pois à medida que as unhas crescem, vão-se enrolando no arame. Pernas e pés danificados pioram ainda mais a chance de uma galinha fazer qualquer exercício e às vezes as impedem de alcançar água e comida.

Por causa de tanta frustração, dor e proximidade uma com a outra, as galinhas começam a se bicar. Esse processo pode resultar em canibalismo. Para prevenir essas manifestações de comportamento anti-social, os avicultores removem um terço do bico da ave com uma chapa quente, sem anestesia, uma medida destinada a tratar o sintoma ao invés de eliminar a causa do problema. Quando sua vida útil termina, essas galinhas são jogadas em latões onde elas sufocam vagarosamente uma em cima da outra, ou são levadas para o matadouro onde chegam com seus ossos fraturados durante o transporte.

O custo de eliminar as gaiolas: Segundo a organização inglesa Compassion in Farming, o custo extra na Inglaterra de se produzir ovos caipiras é de apenas 1.8 penny por ovo. Não há um cálculo feito com os números da indústria no Brasil, mas na cultura globalizada que vivemos, é correto imaginar que uma proporção numérica parecida seja aplicável ao caso brasileiro. Ou seja, com menos de dois centavos por ovo poderia se evitar tanto sofrimento. Além do mais, como a matéria de TV abaixo (março 2008) demonstra, são mais políticos do que logísticos os fatores que determinam o preço que chega ao consumidor. Assista:

Uma outra vantagem econômica de se eliminar essas gaiolas é que a produção de ovos se tornará um processo menos industrial. As galinhas precisarão de mais espaço e assim a população galinácea se encontrará mais distribuida em fazendas menores, geralmente administradas por famílias de baixa renda em zonas rurais. Granjas industriais são controladas por corporações e não pelo homem do campo benigno que mastiga palha, ícone das memórias de um passado mais bucólico que muita gente ainda equivocadamente associa a agricultura em geral.

Mas o mais importante é que essas aves tão relevantes para o ser humano recebam de nós uma atitude mais grata por tudo o que elas nos proporcionam. Além de serem animais muito especiais,

nós temos a obrigação de proporcionar a essas criaturas dóceis uma vida mais feliz e digna. A maneira mais expressiva de mostrar amor e respeito a esses animais é não consumí-los. Considere uma dieta vegetariana sem leite e ovos. Mas quem os consome tem uma responsabilidade ética com o bem estar animal.

Leitura extra:



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